Prendas de Natal

quinta-feira, dezembro 25, 2014 Ariadne 1 Comments

Não vou fazer uma lista do que recebi pelo Natal por uma razão muito simples: os meus presentes podem ser humildes e em pequeno número, mas recebi um ou outro presente mais caro; estar a escrever sobre o que recebi não é justo para alguém que é menos abençoado que eu. Para além de poder despoletar sentimentos de inveja, eu própria não me iria sentir bem porque sei que há pessoas que sofrem por um trabalho ou por terem comida na mesa, quanto mais por prendas fúteis e, no final de contas, insignificantes.

Posso dizer que aprecio cada prenda que me é dada; o ano passado até chorei baba e ranho quando a minha irmã me deu mais uma prenda. Já me tinha ajudado a comprar o tablet (assim como o meu cunhado, mãe e avó também contribuiram) e ainda me deu uma máquina fotográfica; só de pensar que ela tinha gasto ainda mais dinheiro comigo deixou-me o coração tão cheio e tão partido que hoje, só de me lembrar, vêm-me lágrimas aos olhos (na realidade a máquina não lhe custou nada; veio de oferta na compra de uma cadeira de escritório; no entanto, o que conta foi o que pensei e senti naquele momento).

Vou sim contar duas histórias que me aconteceram quando era miúda.

Quando tinha 10 anos, o namorado da altura da minha irmã comprou uma PlayStation X e estreou-a lá em casa. Fiquei encantadíssima! Nunca me tinham visto tão sossegada a olhar para algo. Nesse Natal, apareceu uma caixa grande lá em casa e não me disseram para quem era. Eu na altura tinha um hábito terrível que se manteve durante alguns anos: rasgar pedacinhos pequeninos e em localizações estratégicas dos embrulhos para descobrir o que era. Fiz pequenos rasgos e não consegui perceber o que era, até que, um dia muito de manhãzinha, fui de mansinho até à sala e comecei a descolar a fita-cola com muito cuidado. Sim, eu era terrível! Desembrulhei a prenda completamente e era uma PlayStation. A felicidade que eu senti! Imensos pulos depois, embrulhei novamente a consola. Na noite de Natal, desembrulhámos as prendas todas e eu começo a procurar a caixa; não estava à vista e dizem-me que não há mais prendas. O sentimento de desilusão que se começa a apoderar de mim foi tão grande. Não fiz birra, nem nada do género; apenas comecei a conformar-me quando a minha irmã vai não sei aonde e traz a caixa. Até me vieram lágrimas de felicidade!!

Talvez cerca de dois Natais depois desta história, eu andava obcecada com Barbies. Talvez já fosse um pouco velha para brincar com estas bonecas, mas adorava! Estava debaixo da árvore uma caixa com o meu nome que me parecia ter o tamanho adequado de um carro da Barbie. Quando chegou a hora de abrir as prendas, quis logo abrir essa, mas não me deixaram. Tudo bem, abri as restantes. Quando só sobrava essa e outra para a minha mãe, finalmente abri. Não era um carro da Barbie, mas sim uma caixa para guardar pão. A minha irmã colocou trocados os nomes da minha prenda e da minha mãe, de propósito! Novamente, a desilusão e principalmente confusão; não estava a perceber que prenda era aquela. A minha prenda era a minha mãe que tinha, e honestamente já nem me lembro o que era; só me lembro do sentimento de desilusão.
Por isso, nunca irei fazer tal coisa com uma criança; a criança adora ver o seu nome nas prendas e fazer tal troca pode ter graça para quem está de fora, mas não para quem desembrulha. Penso que se hoje me fizessem isso, o sentimento ia ser o mesmo.

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