Quinto dia de férias

sábado, outubro 31, 2015 Ariadne 0 Comments

O dia de ontem foi passado no congresso. As palestras da manhã foram sobre farmácia comunitária e foram espetaculares! As da tarde já foram menos interessantes, mas o final do dia ficou marcado por política. O Ministro da Saúde veio fazer um discurso, então estavam presentes uma série de pessoas ligadas à política da saúde: bastonários da Ordem dos Farmacêuticos e dos Médicos, diretor geral da ARS, deputados e representantes dos partidos políticos, representantes de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné, Brasil e Espanha, reitores das Universidades de Lisboa, vice presidente do INFARMED, coronéis militares, e muitos mais que eu não apanhei os nomes/cargos. A visita do ministro da saúde levou ao encurtamento de uma palestra que eu queria mesmo muito assistir; o moderador da mesa disse ao palestrante para acelerar porque o ministro chegava às 18:30, ele encurtou a palestra e o ministro só chegou perto das 19h. Foi uma falta de respeito do moderador da mesa acelerar quando se sabia que iam haver atrasos.
Outra coisa que me chateou imenso foi a quantidade de fotos que foram tiradas; estávamos sempre a ver o flash, que por sinal não era nada fraco. Quero dizer: há um limite de fotos que se pode tirar a uma pessoa; sendo fotógrafos profissionais, de certeza que a segunda ou terceira foto fica boa!
Uma coisa engraçada que aconteceu foi ter sido confundida com a Ema Paulino, a diretora da Secção Regional de Lisboa da Ordem dos Farmacêuticos, uma pessoa mega importante e que eu admiro mesmo muito pelo seu trabalho e gestão de trabalho com vida pessoal.

Ontem foi um dia recheado de política, economia, gestão e muitos termos que não compreendia inteiramente e fez-me perceber que há muitas coisas que ainda tenho de aprender. Sempre que venho a palestras ou simpósios, fico com uma vontade enorme de agir, mudar, fazer acontecer, ser uma farmacêutica excelente, pois saímos daqui com aquela sensação de que é tudo possível, quando na realidade, ou pelo menos na minha realidade, não é; tenho sempre uma sensação de incapacidade, de não poder fazer, porque não me deixam. A mentalidade dos utentes é de desconfiança e por mais serviços que a farmácia tente providenciar, simplesmente não vão para a frente porque não há adesão...

O dia de ontem também ficou marcado pela declaração do presidente da ordem dos farmacêuticos de Espanha: em Portugal praticamos terrorismo de saúde, ou seja, permitimos (ou o Governo permite) que medicamentos sejam vendidos fora do controlo de um profissional de saúde qualificado. Eu concordo: os medicamentos matam se indevidamente tomados. Um paracetamol pode levar a coma se tomado um x de horas antes/após a ingestão de álcool; o ibuprofeno quando tomado em demasia provoca úlceras gástricas e interfere com a coagulação; a aspirina provoca hemorragias gástricas; a pílula do dia seguinte tem uma série de efeitos adversos graves que não são explicados aquando da venda (e em muitos casos a pílula do dia seguinte nem sequer é necessária). As farmácias existem por uma razão; farmacêuticos e técnicos de farmácia passaram anos a estudar por uma razão. Não comprem medicamentos só porque a vossa amiga ou vizinha disse que era bom, que nela fez efeito; vão a uma farmácia e perguntem. Posso dar-vos um exemplo real: um rapaz pediu-me metoclopramida, um fármaco para tratamento de enjoos causados por gastroenterites por exemplo; perguntei-lhe se era para ele e se tinha náuseas, ao que responde que não e perguntei-lhe para que queria o medicamento. Aparentemente, um amigo disse-lhe que quando esteve constipado e com tosse tomou aquilo. Deixo-vos aqui a reflexão.

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