Nossos, meus e teus

segunda-feira, novembro 16, 2015 Ariadne 2 Comments

Quando fui viver com o D*, naturalmente, durante algum tempo usava muito expressões como "a minha casa" (referindo-me à casa da minha mãe), "a minha gata", "a casa do D*", em vez de me referir à nossa gata e à nossa casa. É uma situação natural, que hoje já não acontece, porque uma pessoa habitua-se e começa também a sentir que o espaço é dos dois, que deixa de ser o indivíduo para passar a ser o casal. Claro que há coisas, situações e amigos que continuam a ser os "meus" e os "teus", mas aos poucos vamos sentindo aquela sensação de pertença e de comunhão, da construção de uma vida a dois, nem sempre com os mesmos objetivos, nem sempre de acordo, mas com amor e confiança no futuro. Havia situações em que tínhamos muitas discussões, uma delas mazinha, mas apesar de não andarmos propriamente felizes, sabíamos e sabemos (porque casal que é casal discute) que queremos estar juntos e que a nossa vida em conjunto merece o esforço.
O pior é quando um casal passa a vida no "meu" e no "teu": o meu futuro, os teus objetivos, a tua felicidade, as minhas coisas, o teu problema. Não parece haver uma aceitação ou visualização em conjunto. Isto também se reflete nas discussões: quando, ao discutir, o casal usa muito os pronomes pessoais (eu, eu, EU, eu isto, tu, TU, tu aquilo), atribui uma conotação negativa à discussão; eu reimaginei muitas das nossas discussões se tivéssemos usado muito o " eu" e o "tu" e eu sei que eu teria levado muito mal a situação, porque parece-me que leva a atribuições de culpa. Mesmo os ditos especialistas psicológicos em relações matrimoniais desaconcelham este tipo de atitudes nas discussões. O individualizar pode levar à rutura.
Isto até pode soar tudo a disparates, mas desde que, de forma inconsciente, comecei a pensar em "nosso", passei a ter uma perspetiva diferente como indivíduo e como membro do casal. Agora, o truque é não passar a ser só " nós " e esquecer o "eu" e o "tu"; existem tantos casais que deixaram de ser duas pessoas para serem só uma, indo a locais e fazer coisas apenas se o outro membro do casal também fosse, que perderam a sua identidade pessoal e quantos não são os casos em que a relação termina e se ouve " eu já não sabia quem era". Ter e deixar ter espaço pessoal é importante: se ele quiser sair apenas com os amigos, deixa-o ir; se eu quiser ir ao café com as minhas amigas, ele é o primeiro a dizer "vai, vão falar de maquilhagem e coisas de mulheres; vocês já não estão juntas há muito tempo". Devido aos nossos horários, eu e o D* temos muito tempo para nós próprios porque as nossas folgas são desfasadas, mas mesmo nos dias em que estamos juntos, por vezes é necessário dar espaço ao outro; isto para mim tem dias em que é difícil dar-lhe espaço porque também quero atenção, mas tem de ser, tenho de saber compreender. Agora, não é dar todo o espaço do mundo! Equilíbrio é a palavra chave.
Bom, acho que divaguei tanto que o texto deve estar confuso...

2 comentários :

  1. Tens toda a razão, podem parecer pormenores, mas são os pormenores que fazem a diferença :)

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  2. O método para uma boa relação é , na minha opinião, é esse o respeito pelos gostos de cada um...há que saber separar tudo e unir tudo sempre que necessário!
    Boa semana

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