São os que mais gostamos que mais sofrem

terça-feira, novembro 03, 2015 Ariadne 0 Comments


Quando não estamos bem, quer connosco próprias, quer com algum problema no trabalho, quer com algo que o nosso parceiro tenha feito (por mais pequeno que seja), são sempre as pessoas que nos estão mais próximas que vão sofrer quando descarregamos. 
Quando não estamos bem, basta uma palavra, uma ação, um olhar para despoletar um inferno, uma torrente de palavras e ações que desencadeiam uma discussão enorme, que pode não ter nada a ver com o verdadeiro problema, em que são proferidas palavras que vão magoar a outra pessoa. 
Quando não estamos bem, são eles que sofrem e depois sofremos nós por os termos feito sofrer tão estupidamente. Sentimo-nos como m*rda, porque rebaixámos o outro, maltratámo-lo, quando somos nós que não estamos bem. Bombardeámos o outro só para descarregarmos, para procurar algum alívio do que nos atormenta cá dentro, para escoar as lágrimas que acumulam, o peso que esmaga e não nos deixa respirar. 
Procuramos fugir só para não lidar, para não discutir, para não magoar, para não sentir. Quando não estamos bem, não somos nós.
Mas o que acontece quando não estamos bem durante muito tempo? Quando não encontramos a fonte desse mal estar, dessa insatisfação, dessa agonia, desse peso, dessa melancolia? As discussões acumulam, não sabemos estar calados, não sabemos conversar sem discutir, não sabemos lidar, não sabemos pensar, não sabemos agir. Aí, só sabemos magoar, e magoar, e afastar, e tentar ignorar sem tentar resolver. Aí, fugimos. 
E quando a fuga não resolve? Está na hora de enfrentar os nossos demónios interiores, fazer uma introspetiva, perceber o que é que realmente nos consome e nos diminui. As confrontações são sempre dolorosas. Admitir a nós próprios que o problema está em nós e não nos outros é sempre difícil, o orgulho impede-nos quase sempre. Uma vez admitido o problema, uma vez dado o primeiro e o passo mais fácil, está na altura de resolver, de remendar, de reconstruir, de 'rezar' para que as pontes não tenham ficado queimadas e destruídas. Falar e pensar e escrever é sempre fácil, agir, conversar, lidar são as verdadeiras batalhas. Admitir é crescer, mudar é engrandecer. Emendar os erros do passado para construir um futuro harmonioso connosco e com aqueles que amamos. Aceitar que o único controlo que temos na vida é aquele que está na forma como lidamos connosco. 
A vida é uma luta. Saber viver com nós próprios é um trabalho que nunca acaba. O melhor que podemos fazer é tentar não magoar quem nos rodeia, não queimar pontes, não ferir quem nos tenta amar, ajudar, quem nos aceita, quem ia ao outro lado do mundo por nós. 
Porque na maior parte das vezes só sabemos dar valor quando perdemos, está na altura de lutar para não perder quem nos ama e não nos perdermos a nós próprios.

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