A obrigação (ou fardo) das prendas de Natal

quarta-feira, dezembro 09, 2015 Ariadne 2 Comments

Como já devem ter percebido, eu adoro o Natal e, mais do que receber, adoro dar. No entanto, apesar de não ser exatamente assim, está sempre presente aquele sentimento de obrigação, de ter de dar um prenda mesmo que não se possa inteiramente do ponto de vista financeiro. Se tudo corresse bem, eu e a minha irmã não precisávamos de dividir prendas, nem eu e a minha mãe, nem eu e o D*, e cada um dava uma a cada membro da família e aos membros da família do outro. Assim, temos de andar a dividir prendas e não podemos dar a todos; temos de escolher a quem conseguimos dar. O pior é que os membros das nossas famílias compreendem e não levam a mal, mas é mau para nós não conseguirmos dar a todos e estamos a falar apenas da família direta, sem amigos incluídos. O orçamento é curto e mais do que quer dar, sentimo-nos na obrigação de dar também àqueles que sabemos que nos vão dar. Resumindo, tivemos de reorganizar o orçamento para ver se conseguimos dar algo a todos. Já decidimos que não vamos dar um ao outro nada físico, mas sim um jantar de sushi e uma ida ao cinema, algo que gostamos e que vamos apreciar mais do que uma prenda física. Oh, mundo ideal, onde estás tu?
Uma coisa é certa e bastante agradecida: sabemos que temos muita sorte neste mundo. Vivemos juntos num apartamento bom, podemos pagar a alguém para o limpar, temos saúde, a nossa família tem saúde e não tem (grandes) dívidas de momento, tenho um carro que não me dá problemas, não temos falta de dinheiro para comida nem para as contas da casa, podemos oferecer prendas, mesmo que sejam poucas, porque há muitas pessoas na nossa cidade (claro que no mundo inteiro também) que nem dinheiro para comer têm, quanto mais para pensar em prendas. Elas pensam, e muito, e bem sei o quanto choram por nem uma roupinha poderem comprar aos filhos ou irmãos (falo de casos conhecidos). Eu sei que falo de "boca cheia" e são questões de quem não sofre (mas já sofreu e sabe o que custa) de falta de dinheiro para as necessidades básicas.
Falar deste assunto é sempre algo ingrato e injusto. Nós queixamo-nos de tudo e mais alguma coisa e a maior parte dos dias nem nos apercebemos da sorte e do bom que temos. Olhamos sempre para o nosso umbigo e fechamos os olhos para o que se passa nas ruas das nossas cidades ou nas casas dos nossos conhecidos. Eu faço, vocês fazem, é natural e normal; é apenas injusto, mas a vida é mesmo assim, não é?....

2 comentários :

  1. O meu problema com o natal é só um....
    O que oferecer às pessoas... E não ter muito dinheiro para gastar...
    Beijinho*

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  2. A melhor coisa que fizemos foi instituir a brincadeira do amigo invisível entre os adultos e as prendas das crianças são partilhadas por todos.
    Muito menos stress (não ter que comprar prenda para toda a gente) e muito menos dinheiro desperdiçado em prendas que muitas vezes nem vão de encontro àquilo que as pessoas gostam ou precisam. E ainda se pode acrescentar a brincadeira de a pessoa que oferece ter que dar pistas para que se descubra a quem é que a prenda se dirige (antes de a entregar). Recomendo.

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