Um guia de 6 passos para uma auto-cura

segunda-feira, dezembro 14, 2015 Ariadne 1 Comments

Aí há noites acordei com umas cólicas horríveis, sem razão aparente, e, como estava com muito sono, com cansaço acumulado de imensos dias, as dores começaram a interferir com a minha capacidade de raciocínio e, quando dei por mim, estava a ter um ataque de pânico, a tremer imenso, sem conseguir respirar ou pensar. Ainda estive uns 10 a 15 minutos a tentar acalmar-se sozinha mas não consegui, tanto que tive de acordar o D* para ele me fazer companhia. 
Ataque de pânico propriamente dito já não tinha há alguns anos e fez-me lembrar a altura do esgotamento. Hoje queria partilhar algo um pouco diferente.

É um facto (re)conhecido que enquanto o sistema nervoso estiver relaxado, o corpo é capaz de se curar a si mesmo. Apesar de o corpo estar equipado para se auto-curar, existem estudos que sugerem que não é possível para uma pessoa atravessar sozinha o processo da auto-cura; é necessário o apoio de prestadores de cuidados de saúde, que no nosso país simplesmente não providenciam o apoio que os doentes precisam.
Seguindo os próximos 6 passos, é possível ensinar e induzir o organismo a se curar a ele próprio.

I. Acreditar que é possível
O nosso corpo está equipado com mecanismos de auto-reparo que estão sob a influência de pensamentos, sentimentos e crenças que são originadas na nossa mente. Nós conseguimos influenciar se a doença se manifesta prematuramente ou não desde que os nossos mecanismos de reparação estejam a funcionar de forma otimizada. 
Em certos estudos, cerca de 80% dos doentes tratados com nada mais do que comprimidos de açúcar ou injeções de soro relataram uma melhoria nos sintomas naquilo a que se chama de ‘efeito placebo’. 
Enquanto acreditarmos que a nossa condição é ‘incurável’ ou ‘crónica’, vai continuar a sê-lo; uma vez acreditando que a cura é possível, ela vai ser.
Eu acredito muito nisto, especialmente por ser uma pessoa que já teve muitos ataques de pânico. Um ataque de pânico não é apenas físico, é mental também; é preciso muito raciocínio, muito controlo para não deixar o ataque de pânico tomar conta de nós. Basta vacilar um pouco, basta pensar ‘oh não, outra vez, isto nunca vai parar, não vou ser capaz de me livrar disto’, que o pânico vai crescendo, incapacitando-nos. 

II. Encontrar o apoio adequado
Dizer que nos conseguimos curar a nós próprios acaba por ser algo incorreto porque existem dados científicos que provam que também necessitamos do apoio de um verdadeiro ‘curandeiro’ - alguém otimista que partilha o nosso pensamento positivo, respeite a nossa intuição e se preocupe pelo nosso bem estar.
Na altura do meu esgotamento o apoio da família foi muito importante, especialmente de uma pessoa que já tinha passado pelo mesmo e que me ajudou muito a acreditar que ia passar.

III. Escutar o nosso corpo e a nossa intuição
Enquanto os médicos conhecem todos os aspetos anatómicos do corpo humano, apenas cada um de nós sabe o que é melhor para o nosso próprio corpo. O nosso corpo diz respeito a nós próprios e por isso devemos dar ouvidos à nossa intuição e confiar no que ela nos diz. Confiar nos nossos próprios instintos por vezes não é fácil. Se temos uma sensação física (dor, náuseas, tonturas), devemos tentar perceber o que o nosso corpo nos está a querer comunicar; esta é a ‘voz’ da nossa sabedoria e ela conduz-nos sempre para onde precisamos ir.

IV. Diagnosticar a raíz dos problemas
Os médicos são capazes de dar diagnósticos precisos de carácter medicinal, mas hoje estamos a falar aqui de um outro tipo de diagnóstico. Este tipo de diagnóstico procura a raiz daquilo que pode ter despoletado respostas de stress no nosso corpo e desativado os mecanismos de auto-cura.
A doença é muitas vezes uma ‘wake-up call’ que nos força a parar e a analisar o que verdadeiramente se passa na nossa vida; podemos fazer o papel de vítima, ou podemos usar a doença como uma oportunidade de acordar. Quais são os aspetos da nossa vida que estão a ativar o stress? Que atividades de relaxamento (meditação, expressão criativa, riso, focar num trabalho que adoramos, massagens, yoga, ou brincar com um animal) estamos a negligenciar?
Depois do meu esgotamento e de estar devidamente medicada, assim que comecei a recuperar com a ajuda dos medicamentos, debrucei-me a descobrir o porquê de ter tido um esgotamento em primeiro lugar, o porquê de tantos ataques de pânico, o porquê de não conseguir lidar sozinha com aquela situação. Depois de recuperar, primeiro com os medicamentos e depois sozinha, vi aquela situação com outros olhos: foi uma oportunidade de crescer, de fortalecer, de aprender a lidar com elevados níveis de stress e conhecer a ansiedade, para poder ajudar outros que procurassem a minha ajuda com as mesmas preocupações.

V. Passar a nossa própria prescrição
Esta não é aquele tipo de prescrição que avio na farmácia todos os dias. É mais como um plano orientado por nós mesmos com o objetivo de amadurecer o corpo, otimizando-o a ter a melhor saúde possível e recuperação total. É sempre melhor começar com uma pergunta: “O que é que o meu corpo precisa para se curar?”, e a partir daí tentar ser o mais específico possível para ter a verdadeira coragem de fazer o que for preciso para o curar. Esta auto-prescrição pode incluir mudanças no hábitos alimentares, prática de exercício físico, e/ou tratamento médico; no entanto, dependendo da situação, a cura pode passar por sair de uma relação amorosa tóxica, despedir de um trabalho penoso, adicionar a prática de meditação, tomar ações para pagar dívidas, ou seguir uma paixão.
Para deixar de me sentir esmagada pela ansiedade, eu tive de deixar de colocar tanta pressão em mim própria. Na altura, eu tinha colocado imensa pressão para acabar o curso a tempo para não dar mais despesas à minha mãe. Tive deixar de pensar que o mundo ia acabar se não acabasse o curso a tempo e horas (acabei), tive deixar de pensar que as pessoas iam ficar desapontadas comigo, tive de começar a pensar em mim, no que eu queria e como o queria; tive de passar mais tempo fora dos livros e mais tempo ao ar livre, tive de passar mais tempo com aqueles amigos que me ajudaram, tive de respirar sem sentir um peso no peito. Tudo coisas nada fáceis de fazer e que levaram semanas e meses. Só ao fim de um ano e pouco é que me sentia verdadeiramente livre da pressão que tinha auto-imposto. Comecei a pensar mais em mim e a saber lidar com o ínicio dos ataques de pânico e ao fim de algum tempo, não passavam apenas disso: inícios. Já não me esmagavam, ou incapacitavam; eu sabia que eles estavam lá, mas já não me prendiam e eu conseguia ultrapassá-los. 

VI. Aceitar que não está tudo sob o nosso controlo
Uma vez seguidos estes cinco passos, acabámos de fazer tudo o que está no nosso poder para o nosso corpo se curar e o resto está simplesmente fora das nossas mãos. Por isso, toca a respirar fundo, confiar no universo, largar e confiar que qualquer situação de saúde é uma oportunidade para crescer.
Esta é a parte mais difícil para mim, abdicar do controlo. E talvez muito por causa disso tenha tido muitas das situações que tive; não aceitar que o meu próprio corpo tem vontades próprias e não conseguir controlar o que sentia nem saber o porquê do que sentia deixava-me desorientada, e mesmo ainda hoje deixa. Tenho de me sentir em controlo para me sentir segura, mas o pior são as coisas que não conseguimos controlar e a chave está aqui mesmo: não termos o poder de controlar o universos, mas controlarmos a forma como lhe reagimos.

1 comentário :

Partilhem a vossa história comigo. Todos os comentários serão respondidos nesta página, por isso toca de selecionar a opção "Notificar-me" no cantinho direito ;)