Podemos mesmo fazer tudo?

terça-feira, janeiro 26, 2016 Ariadne 0 Comments

Enquanto criança, algumas vezes ouvimos dizer que podemos ser o que quisermos quando crescermos. Já na adolescência e jovens adultos, a conversa muda e temos de escolher um caminho, uma carreira, e de preferência algo que tenha saída. Os sonhos são desvalorizados se forem considerados pobres escolhas de vida, ou algo que não tenha futuro ou perspetivas financeiras. Existe (infelizmente) ainda uma outra vertente: o sonho do jovem adulto até é algo que os pais consideram aceitável, que tem as perspetivas financeiras desejadas, mas os pais não têm condições de ajudar o jovem adulto a perseguir o sonho desejado e este vê-se forçado a seguir um outro caminho, algo que não lhe trará tanta felicidade. 

Existe sempre uma fase da nossa vida em que precisamos de motivação e/ou inspiração. Nestas alturas voltamo-nos para a internet que tem inúmeras fontes de filmes, blogues, frases, dicas, histórias de vida para nos ajudar a encontrar aquela chama. Eu sigo alguns desses sites e há um que gosto bastante de ler, mas a questão é que a maior parte desses sites, dessas dicas, dessas histórias dizem-nos que podemos fazer e ser quem quisermos, que se quisermos ser A e B, podemos ser A e B, basta termos força de vontade e trabalhar arduamente para isso, não precisamos escolher ser apenas A ou apenas B. Eu não sei quanto a vocês, mas eu fui educada de uma forma, e vejo na sociedade isso também, de que tenho de escolher ser apenas A ou B, de ter apenas a carreira que escolhi, e seguir aquilo até ao final dos meus dias de trabalho; se escolhi desenvolver A, tenho de seguir e ser A, e B fica apenas para hobbie (na melhor das hipóteses). 

A mim parece-me ser bastante limitador e sufocante; quem me diz que daqui a uns anos quero continuar em A? Ok, posso mudar, mas a verdade é que não é tão simples, porque nós passámos anos a desenvolver e a aperfeiçoar as capacidades/competências para ser A.
Passamos anos a desenvolver competências para fazermos minimamente bem aquilo a que nos comprometemos e depois? O que acontece um dia em que tudo aquilo que construímos cai, ou queremos mudar porque já não estamos bem a fazer A? Aí entra algo muito perigoso, que foi sendo desenvolvido ao longo do tempo - a zona de conforto e o medo da mudança. Para muitos, para mim também, o pensamento ‘Um conhecido mau é melhor que um desconhecido bom’ é muito automático e paralisante. Quantos de nós não pensámos já, mesmo sendo jovens e tendo a capacidade de aprendizagem ainda fresca, ‘Isto é o que sei fazer’. Quantas pessoas não ouvi dizerem ‘Oh, isso é o que eu deveria ter feito há anos, agora já não vou mudar porque não faz sentido’ (e são pessoas novas, nem 40 anos têm!).


Poderemos mesmo fazer tudo? Podemos, temos a capacidade para isso. Mas teremos a inteligência para romper com as ‘barreiras’ impostas ao longo de tanto tempo? E, mais importante que tudo, teremos a força de vontade para sair do que conhecemos, arriscar o desconhecido, para partir em busca de algo que nos deixe mais felizes?

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