Revisitar 2015

terça-feira, janeiro 05, 2016 Ariadne 0 Comments

Nem sei como começar. As grandes vantagens de se ter um blogue pessoal é que se pode voltar aos arquivos e revisitar o ano que passou, relembrar momentos, bons, maus e indiferentes. Os últimos e os primeiros são os que temos tendência a esquecer mais facilmente, sem dúvida. 
Relendo o post que escrevi no início de 2015 (podem lê-lo aqui), e pensando muito nos últimos dias, apercebi-me que quero escrever resoluções de ano novo. Por norma não as faço, porque nunca as cumpro; no entanto, este ano sinto que necessito de as colocar por escrito porque sei que as fiz e quero cumpri-las. 

Apesar de neste momento não sentir, o ano foi pautado por mudanças! Algumas boas, algumas mais desagradáveis (mas não terríveis ou tristes), e outras, lá está, indiferentes. No início do ano continuava com as minhas aulas de equitação, mas parei em fevereiro/março quando soube que não ia continuar a trabalhar na farmácia onde estava. Mesmo depois de iniciar funções noutra farmácia, não voltei às aulas (apesar de ter feito uma aula há uns meses atrás) porque comprei carro e a despesa começou a ser outra. 

Mudei de trabalho; saí da cidade onde trabalhava através de um estágio emprego do IEFP para trabalhar numa farmácia a 25km de casa, com contrato. Mudança de farmácia, mudança de equipa, mudança de hábitos, adaptação, nova realidade e postura profissional. Cresci muito como profissional ao mudar de farmácia, é uma situação diferente, com os seus altos e baixos, como em qualquer sítio. 

Ao passar a trabalhar numa farmácia mais longe de casa e sem grande acesso através de transportes públicos, tornou-se necessário comprar um carro. Um carro quasi-novo é uma despesa muito grande, mas necessário e, apesar de não ser o carro ideal, a verdade é que estou contente com a minha escolha e até hoje ainda não me arrependi; tinha de ser, e assim foi. Prestação automóvel, consumo aumentado de combustível e pagamento de seguro eram e são despesas que não estava à espera que tivessem um impacto tão grande, mas após aprender a gerir um novo orçamento familiar, tornaram-se exequíveis. 

Saí de casa e eu e o D* passámos a viver juntos. A mudança e a arrumação foram rápidas, mas o que não foi rápida foi a nossa adaptação aos hábitos e rotinas um do outro. Demorou bem mais do que eu estava à espera e tivémos as piores discussões em quatro anos de relação; curiosamente, as discussões não foram sobre situações da vida em conjunto. Agora, apraz-me muito dizer que, apesar de termos as nossas implicâncias, ou aliás, as minhas(!) implicâncias, temos uma vida a dois feliz e relativamente pacífica, juntamente com a nossa Saphira. 

A Branca foi atropelada, levada ao veterinário por quem a atropelou e, no mesmo dia, conseguiram perder a gata. Felizmente, depois de todas as esperanças perdidas, a gata reapareceu ao fim de uma semana, algo dorida, mas viva!

O meu segundo sobrinho nasceu e, apesar de nas primeiras semanas não estar muito ligada, nem visitar tanto, nem estar tão presente como estava quando o primeiro nasceu (na altura estava na faculdade, tinha mais tempo), neste momento sinto um amor tão grande por aquele ser tão pequeno. 

Tivémos, sem o ter, o nosso primeiro Natal juntos. A Saphira só deitou a árvore ao chão uma vez, e o D* não reclamou muito das músicas de Natal, das decorações pela casa, dos (pouquíssimos) filmes de Natal; foi muito respeitador dos meus gostos, e eu também tive cuidado para não ser demais na presença dele. Passei a véspera de Natal a trabalhar (outra vez) e depois com a minha família, o D* passou com a família dele; o meu correu bem, o dele não, este ano tem de ser melhor!

Li pouco e quase nada fui ao cinema. Os cinemas estão caríssimos e só vamos quando os efeitos visuais pedem que se veja em tela grande ou quando não aguento a espera. Os meus livros favoritos foram mesmo os da série Outlander, e quero em 2016 continuar a ler a saga; tenho de encomendá-los através da Amazon. Fui ao teatro duas ou três vezes assistir a concertos, sendo os favoritos de música clássica. 

Passámos um fim de semana em Sagres/Lagos. Foi o nosso único fim de semana romântico, mas valeu tanto. É uma pena que não consigamos passar mais fins de semana fora, quer por questões monetárias, quer por falta de fins de semana juntos. Mais para o final do ano conseguimos visitar também o Badoca Park e posso dizer que adorei e me senti num filme do Rei Leão!

Uma das mudanças mais importantes foi decidir cortar uma amizade que estava a começar a tornar-se tóxica. Já dantes tinha falado desta amizade aqui no blogue, em como tinha de ser sempre eu a fazer o esforço, a estender a mão, a procurar, e embora tivesse parecido durante algum (pouco) tempo que tinha mudado, que as coisas poderiam voltar a ser como eram, a realidade é que voltou ao desligamento e eu vou deixar de procurar. Quem é importante fica, e, apesar de me custar muito, vou parar de procurar, de fazer o esforço, porque são precisas duas pessoas e quando uma delas não quer, ou não demonstra querer, então não é uma amizade. 
Mantive a amizade com as minhas colegas da farmácia antiga, e sou bastante amiga de uma delas. Não foi por mudar de trabalho que perdemos o contacto uma com a outra. Fui a Lisboa visitar uma das minhas melhores e mais querida amiga. Mais uma prova de quando se quer, de quando se gosta, de quando se estima, se faz o esforço.

Em outubro fui ao Congresso Nacional dos Farmacêuticos, também em Lisboa. Para mim, foi bastante importante, a nível profissional e a nível pessoal. Fui com a ideia de que ia passar três a quatro dias sozinha num congresso e por Lisboa, mas na realidade encontrei uns colegas quer da faculdade, quer da profissão e estive com eles. No entanto, passei algum tempo sozinha, a ter de me orientar sozinha. A minha estadia foi num quarto alugado através do Airbnb, uma plataforma que nunca tinha usado, sem qualquer feedback, e sem saber se me ia meter numa alhada; felizmente correu tudo bem. No CNF foram abordadas inúmeras temáticas quanto ao futuro dos farmacêuticos. Aprendi muito e apercebi-me que ainda tenho muito por aprender, não só dentro da área, mas como certos conceitos em gestão e economia. Enchi-me de coragem e falei pessoalmente com alguns dos oradores; tremia que nem varas verdes, mas obtive ótimas informações e superei um medo muito antigo - achar que as pessoas importantes (no meio) não estão interessadas no que tenho para dizer. 

Trabalhei muito no verão (em agosto só tinha uma folga por semana),mas consegui ir mais vezes à praia do que em 2014. Ia de manhã, para não apanhar as horas de maior calor, nem a confusão, e porque muitas vezes o sobrinho e a irmã grávida também iam. 

Decidi também começar a praticar yoga, mas contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que efetivamente fiz alguns exercícios. 

Se há coisa em que não mudei foi no stress: tenho muitos mais cabelos brancos agora do que no início do ano! Continuo a sentir-me nervosa, continuo a irritar-me por tudo e por nada, tive muito stress nos primeiros meses no trabalho novo, stress e medo em questões financeiras, receio pelo meu avô que esteve doente durante algum tempo, medo por não conseguir ser/ter/viver tudo o que quero. Enfim, os eternos problemas de uma pessoa ansiosa que ainda não aprendeu a ultrapassar os seus medos e ansiedades. 

Foi, sem na realidade ser, um ano muito preenchido. O balanço geral é que foi um ano positivo, não por terem acontecido muitas coisas boas, até porque não me lembro da maior parte das coisas que fiz e o que aconteceu de realmente marcante foi pouco, mas foi bom, e os acontecimentos bons foram em maior quantidade que os maus. Posso mesmo dizer que, apesar do stress (foi um ano stressante), não me aconteceu, nem aos meus, nada de verdadeiramente mau, e por isso já estou bastante agradecida. 
Agora é altura de dar as boas vindas ao novo ano.

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