Controlando a irritação

sexta-feira, fevereiro 12, 2016 Ariadne 1 Comments

Fundamentalmente, há três aspetos que quero modificar, ou controlar: irritabilidade, controlo, ansiedade. Pensando bem, eles estão interligados: irrito-me quando algo não corre como eu quero, e se algo foge do meu controlo, maiores as probabilidades de sentir ansiosa, porque eu estou mais relaxada quando sinto que controlo o que me rodeia. Eu não quero fingir apenas que algo não me irrita ou que não estou ansiosa. Não quero viver com a ansiedade e a irritabilidade controladas; quero viver sem elas.

Na internet existem imensas dicas e artigos sobre como controlar a ansiedade e, mais recentemente, comecei a pesquisar também sobre como controlar a raiva (porque a irritação leva muitas vezes à fúria). Já li muito (mais sobre a ansiedade) e há uma coisa em comum: descobrir a causa e o que despoleta, tanto a ansiedade como a irritabilidade (não quero chamar-lhe fúria, apesar de ser o que muitas vezes é). Reparei que me irrito muito com o D*, e por coisas que nem vale a pena irritar; são principalmente assuntos da casa, mas às vezes é também com a forma de ser dele, especialmente quando ele diz que vai fazer uma coisa e depois não a vejo acontecer. Ontem vi um vídeo de um psicólogo americano (no final do post) em que ele explica o que é a raiva e porque é que nos irritamos com os outros; basicamente, nós temos uns certos ideais e, quando alguém não segue ou não age de acordo com o nosso ideal, nós interpretamos como algo errado, que nos leva a reagir negativamente e com fúria, esquecendo-nos, em quase todas as vezes, que nós também falhamos nos nossos ideais. É mais fácil para nós criticar os outros quando eles falham porque estamos, conscientemente ou não, a desviar as atenções de nós próprios, dos nossos próprios erros e falhas. 



Quantas não são as vezes que me irrito com o D* por ele não lavar logo a loiça, não arrumar logo o que tem a arrumar, a deixar tudo para mais tarde? Pensando no assunto, eu irrito-me por ele fazer as coisas desta forma, porque não é a forma como eu faço, como eu vejo o mundo, mas quantas não são as vezes em que eu própria falho, não faço logo? Ele não me critica por isso, porque sabe que não é importante. Eu própria vejo que estas implicâncias, porque é o que isto é – implicâncias, não são importantes, não valem a pena despoletar sentimentos negativos, mas o problema é que eu não consigo controlar, eu não consigo impedir-me de me sentir irritada, e o pior é que não consigo parar a demonstração de irritação antes de ela aparecer; como o D* diz, faço cara má – reviro os olhos, faço trejeitos com a boca, toda a minha linguagem corporal é negativa e defensiva, e digo coisas más, de forma má. No momento sabe bem descarregar, mas ele não devia ter de suportar isto (falo no D* porque é, de longe e de perto, quem mais sofre com os meus ataques); ele tem muita paciência, e diz “Eu sei que não dizes de propósito ou por mal, que não é o que verdadeiramente sentes; é como tu és”, mas eu não quero que ele chegue ao limite da paciência, e eu não quero passar os dias irritada. Penso que neste momento o que mais interfere com a minha felicidade é o facto de me irritar facilmente e depressa passar a fúria; controlo menos isto do que a ansiedade. Lá está a palavra ‘controlar’ outra vez, mas nesta situação não há outra forma.

Antes de poder aprender a gerir e depois aprender a simplesmente não ter, tenho de descobrir a causa. Esta é uma introspeção que vai levar algum tempo. Sei quais são algumas situações que despoletam a minha irritabilidade, mas também não a sei gerir no momento em que aparece. Sei que não me devia irritar, porque simplesmente não há necessidade, não é importante, só me faz mal, mas o problema reside aí mesmo: não conseguir impedir que fique irritada. 



1 comentário :

  1. Uma siamesa como a minha TT... Têm cá um feitiozinho! Mas um amor pelos donos...

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