O sucesso dos outros não te define

terça-feira, abril 19, 2016 Ariadne 3 Comments

Se há um hábito terrível que eu tinha (e de vez em quando ainda o tenho) era o de ir espreitar tudo quanto fosse redes sociais (Facebook e Linkedin, basicamente) de certas pessoas, especialmente colegas, para ver o que andavam a fazer. Claro que este gesto me deixava na maior parte das vezes em baixo; via-os a viajar, a terem empregos novos, cargos diferentes, alguns até que me interessavam e tinha tendência a ficar chateada com a minha vida, não por não estar satisfeita com ela, mas porque fulano X estava a viajar e eu não podia, ou por fulana Z estar a trabalhar em indústria farmacêutica e eu não estava. Então, para deixar de me sentir daquela forma, deixei de ir principalmente ao Facebook (especialmente ao feed de notícias). Mas evitar as redes sociais, ou conversas com colegas em que se fala uns sobre os outros, não resolve o problema, só ajuda a não nos sentirmos mal naquele momento, porque caso a oportunidade se apresentasse de novo, o sentimento voltava.


Num dos meus banhos de imersão fantásticos (como eu os adoro), aproveitei um momento de reflexão para ponderar estes meus sentimentos. Que o ser humano social tem tendência a querer sempre algo que o outro tem, que tem necessidade de por vezes encher o cérebro com 'lixo cor-de-rosa' (revistas sobre 'celebridades', cuscar os colegas/amigos/inimigos), é algo quase natural; o que não é saudável é deixarmo-nos invadir por sentimentos de... inferioridade não é a palavra certa, mas anda lá perto. Por ver o que fulano ou fulana andam a fazer nunca me deixou triste com a minha vida, porque eu gosto da minha vida e sou muito abençoada; nunca cheguei ao ponto de me sentir inferior ou descontente com o que tenho e com a forma como vivo, mas há pessoas que ficam. Há pessoas que, infelizmente, gostam de medir o seu sucesso pessoal consoante a vida de outras pessoas, especialmente colegas ou pessoas que não gostam - 'Ah, aquele fulano está a trabalhar naquilo e eu estou aqui neste trabalho; o meu trabalho não vale nada e ele tem aquele emprego o que o torna melhor do que eu', 'O casal fulanos, não gosto nada deles, foram viajar àquele sítio que eu até nem gostaria de ir, mas não gosto nada que eles tenham ido porque eu nunca vou a lado nenhum', 'Eu não acredito! Ele é um ano mais novo do que eu e já foi promovido. Há pessoas com sorte'.

A parte do trabalho é complicada. Há pessoas que de facto não gostam mesmo do que fazem e há algumas que, pelos seus próprios motivos, não conseguem mudar, e sentem-se melhor com elas próprias quando 'condenam' o trabalho dos outros e quando atribuem o sucesso à sorte. Pior são aquelas pessoas que, relativamente ao trabalho, só não mudam por terem medo de arriscar, de sair da zona de conforto. A sorte no caminho profissional existe, mas existe em menor relevância ao que as pessoas atribuem; para mim, sorte profissional é, por acaso, ter sabido da existência de uma vaga quando nem estava à procura, e concorri. Tudo o resto é trabalho, dedicação, confiança e seguir em frente mesmo tendo medo de falhar, mesmo que tenhamos muitos obstáculos à frente. 


Eu tenho sempre muito presente uma sensação de corrida contra o tempo, que está a acabar e que não estou a fazer o que quero, ou a ser feliz, ou etc. Todos os dias combato esta sensação, porque todos os dias tenho momentos felizes, todos os dias tenho momentos que são únicos, não se vão voltar a repetir, e não é por eu estar à espera de algo que não posso aproveitar o tempo intermédio ou a viagem. 
Com dedicação e coragem, não a ausência de medo, mas sim a certeza de que estamos a fazer a escolha mais certa, iremos alcançar o que é melhor para nós. Lá porque o fulano viaja e a fulana tem aquele outro trabalho que nós não temos, não significa que a vida deles seja espetacular e que sejam super felizes; mais - o sucesso deles não nos vai trazer sucesso, nem vai fazer com que certas coisas nos aconteçam magicamente, só por estarmos a olhar para o que eles fazem e a desejar que algo daquele género nos acontecesse a nós. Desde que tive este momento de 'revelação' que me sinto melhor e mais focada em mim, no que eu quero alcançar e apercebi-me que é completamente diferente do que aquelas pessoas que eu seguia e sentia alguma inveja. O meu caminho é outro, o meu caminho é diferente, e a questão é mesmo essa - é o meu caminho. Não vão ser os outros a construí-lo, mas eu mesma (com alguma ajuda). 


Por isso, aceitem como eu aceitei. Cada um tem o seu caminho, cada um vai fazer algo diferente, e o que é melhor para eles, não significa que seja o melhor para nós. Na construção do caminho temo-nos apenas a nós; o sucesso dos outros não nos vai definir, nem significa que falhámos de alguma forma. Aceita ajuda, mas não esperes que ela te caia do céu de mão beijada. Procura o que te faz feliz e aproveita.

3 comentários :

  1. Adorei o que escreveste :) é uma grande verdade.
    Beijinho*

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  2. Confesso: eu também espreito. De uma pessoa em particular mas nem falemos mais disso

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  3. Que engraçado, nunca tive este tipo de pensamento. :) Quer dizer, eu vou seguindo a vida profissional dos amigos e vou espreitando a vida profissional e pessoal dos que conheço conforme estes vão pondo coisas nas redes sociais, mas isso nunca me incomodou. Talvez exactamente por ver que no meu grupo de amigos o facto de alguém ter trabalho não significa que esteja onde quer. Há quem tenha emprego mas ande à procura de namorado, há quem tenha emprego de responsabilidade e o odeie mas precisa dele para pagar as contas, há quem tem a sua própria empresa mas lute há anos para engravidar, há quem tenha uma família e um emprego, mas os horários são tão loucos que mal aproveita a vida, etc, etc, etc...Por isso, quando vejo que alguém tem um novo emprego ou alcançou uma melhor posição, ou fico contente ou me é indiferente (depende da pessoa).

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