Seis meses em Inglaterra

sexta-feira, fevereiro 03, 2017 Ariadne 2 Comments


No dia 3 de agosto de 2016, por volta das 22h45 chegámos à casa da M*, a nossa primeira senhoria e mais tarde amiga em Norwich. Hoje, dia 3 de fevereiro de 2017 estou sentada a ver Blindspot na tv, com as nossas duas gatinhas, na sala da nossa terceira casa.

Os primeiros seis meses foram uma mistura de bom com mau. O primeiro mês foi passado na casa da M*; esta casa foi encontrada pela nossa amiga R* que já cá vivia. A M* é uma rapariga portuguesa do Norte que está em Norwich há quase dois anos. Viver com ela foi muito bom; ela sentia falta de amigos portugueses e nós não conhecíamos ninguém. Mais: é uma excelente rapariga, ficámos genuinamente amigos com ela.
O primeiro mês na casa da M* refletiu-se na procura de casa e na procura de trabalho do D*. As coisas entre nós não correram suavemente, especialmente com o stress de ele vir para o país sem trabalho e longe dos amigos e com a minha pressão para encontrar casa, mas quando encontrámos casa e tivemos uma conversa honesta sobre o que sentíamos, aliviando o mau ambiente e ultrapassando a primeira fase.



Segunda casa, meses dois a quatro. Apartamento no centro da cidade, dois quartos, duas casas de banho (a segunda é uma anedota mesmo), sala e cozinha numa só divisão. Não tinha internet quando entrámos, mas disseram-nos que a BT (semelhante à PT em Portugal) ia escavar a rua nas próximas semanas para passar as linhas. 
De setembro a dezembro foi o inferno, especialmente para o D* que depende de internet para tudo, principalmente trabalho. Imaginem-nos numa casa, sem internet, sem tv, em que todas as semanas mandávamos emails a perguntar sobre a internet, em que diziam sempre que estavam à espera da BT; escusado será dizer ao fim de umas seis semanas andávamos a trepar paredes, a discutir, sem dinheiro para mudar para outra casa, porque o depósito é algo bem puxado. 

No final de novembro, finalmente lançámo-nos na procura de casa, simplesmente não podíamos adiar mais, a situação tinha-se tornado insuportável, especialmente quando percebemos que a empresa que geria o bloco de apartamentos bem podia ser uma empresa fantasma. Procurámos, mas de forma diferente da primeira vez: já não tínhamos um prazo para encontrar, tínhamos tempo para não errar. Ao fim de algumas semanas encontrámos uma casa que gostámos bastante, fizemos a candidatura e aceitaram-nos. As minhas colegas diziam-me que esta era uma zona má para se morar, que há muitas casas da câmara municipal que por norma são dadas a pessoas com problemas de drogas e a quem tem baixo rendimento. Pronto, o medo instalou-se, mas fomos em frente, não havia como recuar; o que viesse, viria.



Desta vez as coisas com a agência foram completamente diferentes. Fizemos questão de procurar através de agências mobiliárias que não a do apartamento e o processo correu muito melhor e muito mais transparente, tudo 'by the book'. Não tivemos de pagar logo, a não ser as taxas da agência; só era necessário o dinheiro estar na conta no dia antes de nos mudarmos, o que seria o dia 5 de janeiro. Assinámos o contrato, que era de 20 páginas ao contrário do apartamento que era de 4p (só aí vê-se a diferença). acordámos datas e preparámo-nos para sair do inferno que aquele apartamento se tinha tornado. Demos a data de saída e uma nova tormenta começou: não nos iam devolver o depósito. Procurámos ajuda legal e não havia nada que pudéssemos fazer porque nós tínhamos o dever de ficar seis meses na casa e eles tinham o dever de ter protegido nosso depósito através de um dos esquemas legais do governo britânico. Só dores de cabeça e desespero com aquele apartamento. 

Chegou dia 5 de janeiro e mudámo-nos para a nossa casa atual. Casa térrea, sala, sala de jantar, cozinha, quintal, três quartos e duas casas de banho com banheira. E o mais importante de tudo: internet e aquecimento central (algo que o apartamento também não tinha). A casa não tem mobília, mas para nós não tem importância; temos colchão e todas as coisas de cozinha. Claramente que em um mês já adquirimos mobília: mesa de jantar e cadeiras, duas camas e uma estante que é o meu móvel da Nespresso (trouxe-a de Portugal). Dentro em breve iremos ao IKEA para adquirir mais mobília. 



Nem tudo foi mau, embora como mudámos de casa esteja com aquela sensação de recomeço.
Já tivemos visitas de Portugal, fizemos amigos, fomos a Portugal duas semanas passar o Natal e Ano Novo, já temos internet o que nos permite muita coisa, e adotámos duas gatinhas esta semana!

Uma das razões pelas quais quisemos esta casa foi por permitir animais, o que nos alegrou muito, porque saudades das minhas gatas não me faltam. São duas irmãs, mas mais sobre isso mais tarde.

A falta de internet justifica em parte a minha ausência da blogosfera. Foram muitos meses a aceder à internet apenas nos momentos em que estava no autocarro, ou num dos vários free wifi spots da cidade. Escrever textos enormes no telemóvel não me agrada. Além disso, o espírito não era o melhor, por isso não me apetecia nada andar por cá. 

Vou tentar vir cá mais vezes, até porque quero atualizar este blog, voltar à blogosfera, e manter este hobbie. 















2 comentários :

  1. Foi realmente um misto de emoções, mas é bom saber que tudo se está a compor =)

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  2. A adaptação nunca é pacífica 😊 E então num país diferente imagino que seja bem mais complexo! Mas já está tudo bem é o que importa!!!

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